ONSRA
Existe uma palavra, que acabou acertando em cheio tudo o que eu carreguei esse ano.
Onsra é uma palavra indiana, que significa o sentimento de amar pela última vez, com a dolorosa consciência de que aquele amor não pode durar, que aquele amor não vai suportar o peso do tempo.
Sinto que talvez nunca tenha visto uma palavra tão profunda. Eu sei, é arriscado dizer isso enquanto na nossa língua existe a tão famosa "saudade", ou, enquanto eu, como poeta, vejo o mais profundo de cada mínima palavra.
Vivi um amor assim, eu amei sabendo que o perderia, porque fugir seria trair algo que, dentro de mim, nasceu verdadeiro.
Eu sei que talvez pareça bizarro o quanto eu precisava de uma palavra que descrevesse o que é sentir isso, mas acho que precisava validar que o que eu sentia era real, como se fosse um abraço, me dizendo que eu não inventei aquilo que me assombra dia após dia, desde o segundo em que acabou.
É horrível sentir que você não pode ter alguém pelo tempo que desejava ter, e que mesmo que vocês não falem, sabem que é um adeus, sabem que não vai durar. Mas mesmo assim, entendo a preferência pela dor de se deixar ir depois de ter vivido, do que a simples comodidade de aceitar o fim do que sequer teve um começo e viver do "e se". Entendo porque eu vivi isso, entendo esse impulso. Existem história que estão destinadas a marcarem um capítulo, e não o livro todo. Acredito que seja melhor dolorido e vivido do que o seguro que é vazio. Melhor ter as mãos separadas por um fim destinado, do que nem mesmo sentir a outra pessoa.
No fundo, onsra é isso. Não somente a dor, mas a coragem. A coragem silenciosa de sentir algo até o último segundo, mesmo sabendo da dor que lhe aguarda.
O que nos resta é aceitar que algumas pessoas passam pelas nossas vidas exatamente dessa forma. Breves, intensas, e sempre valem a pena.


